Falso Médico
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, na manhã desta terça-feira (02), a Operação “Cura Ficta”, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa interestadual especializada no golpe conhecido como Falso Médico. Ao todo, são cumpridos 9 mandados de prisão preventiva e 13 mandados de busca e apreensão nos estados de Mato Grosso, Goiás e Rio de Janeiro.
Em Mato Grosso, equipes da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (DERF) de Rondonópolis cumpriram 8 mandados de busca e apreensão — incluindo um alvo dentro da Penitenciária da Mata Grande — e 6 mandados de prisão, resultando em 5 pessoas detidas e um investigado ainda foragido. Celulares, cadernos com anotações, cartões bancários e documentos foram apreendidos durante a ação.
A operação contou com apoio da PCERJ, PJCMT e PCGO.
Golpe explorava fragilidade emocional de famílias de pacientes em UTI
A investigação, conduzida pela Delegacia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos (DRCPE/DERCC), revelou uma estrutura criminosa altamente articulada. Os suspeitos ligavam para familiares de pacientes internados em UTIs, se passando por médicos ou diretores clínicos. Usando nomes falsos, fotos retiradas da internet e informações sigilosas, relatavam um suposto agravamento do quadro de saúde dos pacientes, citando diagnósticos como leucemia ou infecções graves.
Sob alegação de urgência, exigiam pagamentos via PIX para supostos exames ou medicamentos não cobertos pelo plano de saúde. Tomadas pelo desespero, várias vítimas realizaram as transferências.
Líder do esquema operava de dentro do presídio
O líder da organização foi identificado como um detento de 35 anos, preso na Penitenciária de Rondonópolis (MT). Mesmo encarcerado, ele coordenava ligações, distribuía tarefas e orientava comparsas. Em operações anteriores, já haviam sido apreendidos na cela do suspeito cadernos com roteiros do golpe, listas de contatos e dados bancários.
Uma mulher residente em Rondonópolis, apontada como braço direito do grupo e companheira de um dos investigados, era responsável por administrar contas bancárias, organizar o fluxo financeiro e realizar repasses — tudo isso usando tornozeleira eletrônica, o que indica reincidência.
Lavagem de dinheiro e uso de tecnologia para dificultar rastreamento
A investigação identificou ainda um esquema complexo de lavagem de dinheiro. No Rio de Janeiro, especialmente em Guaratiba, dois operadores financeiros eram responsáveis por movimentar contas utilizadas para receber os valores extorquidos, atuando em sincronia com o núcleo criminoso sediado em Mato Grosso.
Em Rondonópolis, um dos investigados possuía 121 chaves PIX cadastradas em seu CPF, número considerado extremamente alto e característico de uso profissional para escoamento de recursos ilícitos.
Os golpistas também utilizavam emuladores de Android para controlar diversos perfis de WhatsApp e aplicativos bancários em um único computador, dificultando o rastreamento policial. Parte dos valores obtidos com as fraudes era destinada ao financiamento de uma facção criminosa atuante em Mato Grosso.
Avanço das investigações
A Operação “Cura Ficta” — nome que faz referência à falsa promessa de cura usada pelos criminosos — teve início após registros de vítimas em Porto Alegre e Canoas, com prejuízos que somam dezenas de milhares de reais.
Por meio de ferramentas digitais, como quebras de sigilo telemático, análise de logs, rastreamento de IMEIs e cruzamento de dados de geolocalização, os investigadores conseguiram vincular aparelhos usados nos golpes aos dispositivos apreendidos em Mato Grosso, Goiás e Rio de Janeiro.
Compromisso institucional
Com a operação, a Polícia Civil busca prender líderes e executores, desarticular o esquema financeiro e identificar outros envolvidos. A ação reforça o compromisso da DRCPE/DERCC no combate a fraudes que, além de gerar prejuízo financeiro, causam forte abalo emocional em famílias já fragilizadas pela internação de entes queridos.
Assessoria de comunicação
Polícia Civil Rondonópolis


