Do chavismo a Maduro: como a Venezuela foi governada por quase 30 anos

Do boom do petróleo ao colapso econômico, regime se sustentou por eleições contestadas, repressão e concentração de poder.

 

Regime iniciado por Hugo Chávez enfrentou colapso econômico, eleições contestadas e concentração de poder até o governo Nicolás Maduro.

A possível saída de Nicolás Maduro do poder, após quase 13 anos à frente do governo, reacende o debate sobre o fim do chavismo na Venezuela, movimento político que dominou o país por cerca de 27 anos.

Hugo Chávez foi eleito em 1998 após uma tentativa frustrada de golpe em 1992. No poder, reformou a Constituição, ampliou os poderes presidenciais e estatizou setores estratégicos, como o petróleo, dando início à chamada Revolução Bolivariana. O governo rompeu a histórica proximidade com os Estados Unidos e fortaleceu alianças com Cuba, China e Rússia.

O alto preço do petróleo garantiu recursos e popularidade a Chávez, enquanto o endurecimento do regime assegurou sua permanência no poder. Nesse período, Nicolás Maduro ascendeu na política, passando de líder sindical a vice-presidente, cargo que assumiu em 2012.

Após a morte de Chávez, em 2013, Maduro venceu uma eleição apertada contra Henrique Capriles, a primeira de várias disputas eleitorais posteriormente contestadas. Diferente do antecessor, enfrentou queda no preço do petróleo, sanções internacionais e um colapso econômico marcado por hiperinflação e escassez de produtos.

Com apoio das Forças Armadas, Maduro manteve o controle do governo, substituiu juízes do Tribunal Supremo e esvaziou os poderes do Parlamento após a oposição conquistar maioria, aprofundando a crise institucional e democrática no país.