Manifestação cultural reúne 270 foliões mascarados, promove inclusão social e atrai turistas durante o Carnaval no município
Com 81 anos de história, o tradicional Bloco dos Caretas mantém viva uma das manifestações culturais mais marcantes do Carnaval em Guiratinga. Criado em 1945, o grupo atravessa gerações levando arte, memória e identidade cultural às ruas do município.

No início, as máscaras eram simples e produzidas artesanalmente em papelão. Com o passar do tempo, a técnica evoluiu e atualmente elas são confeccionadas a partir do barro, revestidas com papel reciclável — método que garante maior resistência e riqueza de detalhes. A partir dos anos 2000, os artesãos passaram a desenvolver expressões mais assustadoras e elaboradas, sem perder a essência das primeiras peças.
A produção começa cerca de 30 dias antes do Carnaval, período em que integrantes e voluntários se dedicam à confecção das máscaras. O trabalho mantém o padrão tradicional, mas também busca inovação utilizando materiais mais acessíveis, garantindo a continuidade da manifestação cultural.
Hoje, o bloco reúne cerca de 270 foliões mascarados e é formado por participantes de todas as idades. Se no passado apenas homens participavam da brincadeira, atualmente mulheres, crianças e até pessoas com transtorno do espectro autista integram o grupo e participam das apresentações anuais, tornando o movimento ainda mais inclusivo.

O cortejo percorre pelo menos três bairros previamente escolhidos, levando música, dança e interação direta com a população. A tradição já ultrapassou os limites do município e foi apresentada em diversas cidades, como Brasília, Cuiabá e Chapada dos Guimarães.
Atualmente na terceira geração de brincantes, o Bloco dos Caretas também contribui para o turismo local, atraindo visitantes durante o período carnavalesco e fortalecendo a economia e a identidade cultural de Guiratinga.
Mais do que uma festa, o desfile representa memória coletiva, pertencimento e continuidade — um patrimônio vivo que conecta passado, presente e futuro através das máscaras e das ruas.
Marta Andrade



