Executiva fala sobre recomeços, liderança feminina e os desafios de ocupar espaços no mundo corporativo
Por Ulana Bruehmueller
Houve momentos na minha trajetória em que permanecer teria sido mais confortável. Ainda assim, escolhi recomeçar. E, todas as vezes em que recomecei, não foi por impulso, mas por acreditar que poderia ir além.
Atuar em um setor altamente competitivo como o de bebidas exigiu de mim algo além da competência técnica. Exigiu presença, posicionamento e uma coragem silenciosa — aquela que não aparece nos relatórios, mas sustenta decisões importantes.
Meu primeiro grande recomeço foi ocupar um espaço que, aparentemente, não era naturalmente meu. Quando assumi uma posição executiva em um ambiente onde a liderança feminina ainda é minoria, percebi rapidamente que o desafio não era apenas entregar resultados, mas afirmar constantemente que eu também pertencia àquela mesa.
Recomeçar, então, não foi sobre mudar quem eu era, mas sobre expandir quem eu poderia ser. Ambientes corporativos tradicionais ainda carregam modelos de liderança forjados na rigidez, na autocracia e na competição. Para a mulher, especialmente para aquela que lidera, existe um desafio adicional:
• Ser firme, sem ser taxada de “dura demais”;
• Ser estratégica, sem ser vista como “fria”;
• Ser sensível, sem ser considerada “frágil”.
Assumir o peso invisível de ser mulher em um ambiente predominantemente masculino me ensinou a equilibrar duas forças: a objetividade exigida pelo negócio e a sensibilidade que faz parte da minha essência. Esse equilíbrio ajudou a moldar a líder que sou hoje.
Recomeçar, para mim, também significou parar de tentar caber em um molde que não foi desenhado para nós e começar a redesenhar o meu próprio.
Para as mulheres que estão considerando recomeçar, deixo um recado que considero fundamental: você não está começando do zero — está começando com experiência. Recomeçar não apaga sua trajetória; ao contrário, potencializa tudo o que você construiu até aqui.
O medo e a insegurança podem até caminhar ao seu lado, mas não podem conduzir seus passos nem paralisar suas escolhas.
Hoje, olhando para trás, percebo que os meus maiores crescimentos vieram exatamente dos momentos em que decidi sair do confortável.
Ulana Bruehmueller é vice-presidente da Associação Comercial e Empresarial de Várzea Grande (ACIVAG), diretora da Federação das Indústrias de Mato Grosso (FIEMT) e diretora-executiva da Refrigerantes Marajá.

