Por Henrique Lopes, professor e presidente licenciado do Sintep
A história recente da educação pública em Mato Grosso precisa ser analisada com honestidade e compromisso com quem vive o cotidiano das escolas. Nos últimos anos, o que se observa não é a consolidação de um projeto educacional estruturado, mas uma condução marcada por decisões administrativas distantes da realidade de estudantes, professores e comunidades escolares.
Sob o discurso de modernização e eficiência, a gestão do governador Mauro Mendes promoveu mudanças que, segundo críticos, fragilizam pilares históricos da educação pública. Um dos pontos mais emblemáticos é o enfraquecimento da gestão democrática nas escolas, com a redução da participação da comunidade escolar nos processos decisórios — um princípio essencial para a construção coletiva da educação.
Outro aspecto apontado é o fechamento de unidades escolares e a política de “redimensionamento”, que transferiu responsabilidades aos municípios sem a garantia proporcional de estrutura e financiamento. Como consequência, há relatos de sobrecarga nas redes municipais, dificuldades de acesso para estudantes e impactos no processo de ensino-aprendizagem.
No que diz respeito à valorização profissional, o cenário também é alvo de críticas. A recomposição salarial não teria acompanhado as perdas acumuladas, resultando em defasagens. Além disso, o modelo baseado em metas e gratificações é visto por representantes da categoria como um fator que enfraquece a carreira e contribui para a precarização das condições de trabalho.
A padronização do ensino, por meio de sistemas apostilados e modelos considerados engessados, também entra no debate. Para especialistas e profissionais da área, esse formato pode limitar a autonomia pedagógica e reduzir o papel do professor à execução de conteúdos, desconsiderando as especificidades de cada escola e realidade dos alunos.
Outro ponto levantado é a transparência na divulgação de dados educacionais. Há questionamentos sobre o uso de indicadores como ferramenta de comunicação institucional, o que, segundo críticos, pode comprometer a análise real dos desafios enfrentados pela educação no estado.
A adoção de modelos com inspiração militar em algumas unidades escolares também gera discussão. Para educadores, é necessário diferenciar disciplina pedagógica de disciplina militar, destacando que o papel da escola é formar cidadãos críticos e participativos.
Mais do que uma disputa política, o debate envolve o futuro da educação pública em Mato Grosso. Especialistas defendem que o fortalecimento da área passa por investimento contínuo, valorização dos profissionais, gestão democrática e diálogo com a comunidade escolar.
Nesse contexto, cresce a cobrança para que a educação deixe de ser tratada apenas como gasto e passe a ser vista como investimento estratégico para o desenvolvimento social, econômico e humano do estado.
fonte : Assessoria de imprensa
Luiz Benitte



