O Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT) elevou o tom contra o governo Mauro Mendes e declarou enfrentamento político aberto ao endossar a carta do movimento sindical dirigida à população mato-grossense. O recado é direto: os servidores públicos estaduais atuarão como cabos eleitorais contra o projeto de desmonte das políticas públicas e contra candidaturas alinhadas ao atual governo.

No documento, o movimento sindical afirma que os trabalhadores do serviço público não aceitarão ser usados como massa de manobra e denuncia o que classifica como uma política deliberada de arrocho salarial, precarização dos serviços e desvalorização dos servidores. A carta contrapõe a imagem vendida pela propaganda oficial à realidade vivida diariamente por quem está na linha de frente do atendimento à população.
Segundo o texto, o chamado “governo Mauro Mendes da TV” não existe nos hospitais, escolas, delegacias e repartições públicas. Nesses locais, afirmam os sindicatos, predominam a falta de estrutura, a sobrecarga de trabalho e a ausência de diálogo com o Palácio Paiaguás, que segue fechado às reivindicações das categorias.
Os números apresentados reforçam a acusação de confisco salarial. Em 2021, a reposição foi de apenas 2%, diante de uma inflação de 13,11%. Em 2022, com IPCA de 10,06%, as perdas acumuladas chegaram a 24,49%, enquanto o governo concedeu somente 7%. De acordo com cálculos do Dieese, a dívida do Estado com seus servidores soma 19,58%, mesmo com crescimento de cerca de 100% da arrecadação estadual. “Isso não é austeridade, é calote”, afirma a carta.
Para o presidente do Sintep-MT, Henrique Lopes, o governo fez uma escolha política clara ao governar contra os trabalhadores.
“Mauro Mendes optou por atacar os servidores enquanto constrói uma narrativa fictícia de eficiência. O arrocho salarial, o desmonte das políticas públicas e a precarização dos serviços são reais e sentidos por quem atende diretamente a população”, afirmou.
O movimento sindical também critica a falta de concursos públicos, que mantém setores inteiros da administração estadual operando no limite, e aponta como grave a tentativa do governo de interferir na organização sindical, ao propor mudanças que limitam a reeleição de dirigentes.
Para Henrique Lopes, a iniciativa representa autoritarismo e tentativa de intimidação.
“Quando um governo tenta controlar sindicatos, é porque teme a organização coletiva. Não aceitaremos ataques à autonomia sindical nem à democracia. Essa proposta escancara o desprezo do governo pelo diálogo”, disse.
Mesmo após a recomposição de 5,40% concedida em janeiro, os servidores mantêm a reivindicação de 18,38% referentes às perdas acumuladas nos últimos oito anos. A mobilização, segundo o Sintep, seguirá nas ruas, nas bases e no debate público.
O movimento sindical encerra o documento deixando claro que o enfrentamento não será apenas administrativo, mas político. Os servidores públicos prometem intensificar a denúncia do que chamam de desmonte do Estado e atuar diretamente contra projetos e candidaturas que representem a continuidade do atual governo em Mato Grosso.



